domingo, 3 de junho de 2007

SINOPSE

Num fluxo ininterrupto de pensamento, um homem rememora o seu passado, minutos antes do início de uma nova fase em sua vida.

Enquanto aguarda ser chamado, a qualquer momento, pelo auto-falante do presídio onde cumpriu dez anos de reclusão por assassinato, Raskolnikov revê sua estória: os motivos que o levaram ao crime, suas relações familiares, seu relacionamento com Sônia, uma jovem prostituta que o acompanhou por toda a vida.

A estrutura desta narrativa contempla 3 tempos distintos:

- Os 15 minutos (aproximadamente) que lhe restam no presídio;

- O dia em que confessou seu crime à jovem prostituta;

- Toda a estória de sua vida (suas inquietações, seus sentimentos de culpa, sua forma de ver o mundo).

Rompemos assim, com o conceito clássico de espaço/tempo a partir do momento em que estendemos o tempo fictício de 15 minutos para 1 hora e quinze minutos de espetáculo, como se propuséssemos ao espectador que entre na mente do nosso personagem (esse “espaço” onde o tempo não existe) onde em minutos, de forma não linear e fragmentada, toda uma vida é reconstituída.

Ora, o personagem se encontra no espaço (a ante-sala do presídio) e no tempo presentes, quando dirige-se ao espectador como se fizesse uma confissão e um relato dos fatos ocorridos no passado, ora situa-se no tempo e no espaço em que tais fatos ocorreram (o local do crime, a casa de Sônia, o cubículo em que morava...).

De tudo isto se constitui o “rito de passagem” empreendido por este homem que ao cometer um assassinato, como exercício de liberdade e busca de sentido na vida, entra em contacto com seu lado mais sombrio.

É através desta revisão que ele se apropria do seu passado como forma de se preparar para o futuro incerto que o aguarda.

3 comentários:

Anônimo disse...

César,
Apreciei muito o "blog". Está muito caprichado. Quanto ao conteúdo, percebi a busca por desvendar um pouco do espetáculo, explicá-lo, no sentido de uma apresentação a quem se dispuser a ver o "blog". Você se faz às vezes de crítico de si mesmo. Mas, convenhamos, o que você mesmo percebeu de seu trabalho é algo digno de apreciar também. Embora eu considere que o melhor crítico jamais seja o autor, também se pode pensar que o autor, despindo-se de sua própria característica autoral, pode, ele mesmo, apreciar-se. Não é algo tão narcísico assim, porque, afinal de contas, o momento de apreciar é outro, já um pouco distante da criação. E também criticar é saber enxergar-se de longe, não com o espelho tão perto. A densidade buscada em seu texto, que é inspirado no romancista russo, ganha alguns aromas particulares especialmente na comparação com o disco do uruguaio que tem o mesmo título do seu trabalho, numa curiosa coincidência. Aliás, a explicação dele encaixar-se-ia perfeitamente com o pretendido no texto do César, porque o tempo do farol (12 segundos) marca o lapso de tempo tanto no disco como na peça de teatro, como se pode perceber da intenção dos dois autores.
Eu que tive o privilégio de conhecer o trabalho do César, fico também curioso por conhecer o do músico uruguaio, talvez isso seja possível, pode até ser para uma eventual trilha do espetáculo, quem sabe?
Até mais. Já iniciei a leitura do "Crime e Castigo". Futuras incursões por recriações a partir dele certamente virão. Um abraço,
Claudionor Aparecido Ritondale

Anônimo disse...

César, querido. Fico muito contente em ver como vc está colocando toda sua maturidade, sua sensibilidade e, sobretudo, esse momento de sua vida, a serviço de um trabalho tão digno de ser apreciado. Tão logo comecei a ver esse blog e já me veio a sensação de quão o novo César se aproxima de Raskolnikov (é assim a escrita?), no sentido mais contundente desse personagem. Queria conversar contigo sobre esse novo César, que agora é tão familiar a Raskolnikov em tantos sentidos.

Achei o blog de muito bom gosto. Fiquei curiosíssimo para não só ver o espetáculo, mas para ler este livro.

Um forte abraço. Quero poder, em breve, falar com vc, pessoalmente, sobre esse espetáculo, que já me instiga.


Ruberval

Anônimo disse...

César,
Amei tudo!!..começando pela beleza do blog até chegar na escrita detalhada e rica de como se dará os seus preciosos "12 segundos" de pura arte!!Parabéns meu amigo. Fico muito feliz em saber o quanto você cresceu como ator, diretor e dramaturgo. Estarei esperando ansiosa para revê-lo em tão brilhante espetáculo aqui na terrinha e para ouvir muitos aplausos. você merece!
beijos