quinta-feira, 31 de maio de 2007

DICA DE LEITURA


PROBLEMAS DA POETICA DE DOSTOIEVSKI
MIKHAIL BAKHTINI
Editora: FORENSE UNIVERSITARIA

ESPAÇO CENOGRÁFICO

“O objeto expande-se para além dos
limites da sua aparência, pelo conhecimento que
temos de que ele significa mais do que o que
vemos exteriormente”.

“Não é apenas uma questão de se
reproduzir o que se vê, mas de tornar visível tudo
aquilo que se percebe secretamente”.


Paul Klee



Uma parede de concreto que se prolonga pelo chão com uma pequena janela ao alto, de onde se percebem os reflexos da luz exterior. Um banco de concreto.

Mais do que a representação de parte de um presídio, a cenografia nos remete ao espaço simbólico do recolhimento físico e psicológico. Têm significação semelhante o hospital, o asilo, o hospício... É o local de onde só se sai curado, morto ou renascido e carrega em si a força arquetípica do mito bíblico de Jonas na barriga da baleia e do mito da caverna de Platão.

É para este espaço que o espectador é convidado a fim de partilhar das dúvidas, dos sofrimentos e da transformação do personagem RASKONIKOLV.

FIGURINO - Jefferson Menezes


Uniforme de presidiário, confeccionado em algodão, tingido em duas etapas:

- VERMELHO (que será lavado varias vezes em solução descorante – “stone washed”);

- MARRON (rápido tingimento, para dar um aspecto de manchado).




Nossa principal preocupação, na criação do figurino, foi evitar, por questões estéticas e de conteúdo, qualquer caracterização que nos remetessem aos refugiados dos campos de concentração ou aos presidiários americanos.

A solução encontrada foi vestir o personagem com as cores da terra, geradora da vida, criando um contraste com o concreto - duro e frio - utilizado no cenário.

As medidas são inadequadas ao manequim do ator para dar a impressão de uma roupa que não lhe pertence, que foi escolhida aleatoriamente.

sábado, 26 de maio de 2007

FIODOR DOSTOIEVSKI


CRIME E CASTIGO – UMA INSPIRAÇÃO

Ao entrarmos em contato com DIARIO DE RASKOLNIKOV, um dos exercícios literários utilizados por F. Dostoievski na criação de CRIME E CASTIGO, percebemos que ali existia um excelente material que nos servia de inspiração para falar do vazio existencial e espiritual, do niilismo e da falta de sentido que caracterizam a vida do homem moderno.

O DIARIO..., um exercício inacabado, nos levou, naturalmente, ao CRIME E CASTIGO. E foi aí que nos demos conta do tamanho de nossa empreitada. Dois anos foram consumidos na tarefa de, não somente traduzir para nosso tempo os caracteres que constituem o personagem RASKOLNIKOV, mas também sinalizar a sua tomada de consciência diante do crime que cometeu, o que para nós era fundamental pois, desde o início, nossa intenção jamais foi a de fazer o retrato de um criminoso, e sim, como faz Dostoiewski nos últimos capítulos do seu romance, falar da possibilidade de redenção deste homem.

A estrutura dramaturgica, não linear e fragmentada, foi sendo construída para atender aos nossos propósitos de encenação, a nossa visão de mundo e a nossa concepção de teatro, onde o que não é dito (ou é apenas sinalizado) propõe ao espectador um “jogo”, em que sua imaginação é elemento fundamental.

sexta-feira, 25 de maio de 2007

DA CONCEPÇÃO DE 12 SEGUNDOS DE ESCURIDÃO OU O MINIMALISMO COMO FILOSOFIA

A“Assegura-te de haver esgotado tudo o que
se comunica através do silêncio e da imobilidade”.


“O que está destinado ao olho, não deve
repetir o que se destina ao ouvido. Não se pode
ser, ao mesmo tempo, todo olhos e todo ouvidos”.


Robert Bresson




No mundo em que vivemos, onde o excesso de informação nos deixa cada vez mais atônitos e incapazes de eleger aquelas que nos pareçam fundamentais a uma compreensão mais profunda de nós mesmos e da realidade que nos cerca, não há outra função para a arte que não seja a de proporcionar ao homem um momento de reflexão, de volta a si mesmo, de introspecção...

O percurso por este caminho só pode se dar através do silêncio (que faz existir o som e, consequentemente, a palavra), da delicadeza, da simplicidade, da contenção e do equilíbrio.

Em nosso trabalho, os paroxismos (a cólera, o espasmo, o grito...) são, portanto, evitados, na busca de outras características que fazem de cada um de nós - e consequentemente, dos personagens - ÚNICOS e SINGULARES.

Assim sendo, cada um dos poucos elementos constitutivos de 12 SEGUNDOS DE ESCURIDÃO foram cuidadosamente escolhidos segundo a sua possibilidade de exercerem uma função simbólica no intuito de estabelecer uma comunicação total com o espectador.

No que diz respeito ao trabalho do ator, é importante frisar que esta comunicação se efetua não pelo esforço que este faça em cena para atingir o espectador, mas através do poder de atração que o mesmo exerce a partir do rico e complexo universo criado em torno de seu personagem e da técnica que consiste em provocar a curiosidade do público, fazendo-o adivinhar o todo, quando só lhe é oferecida uma parte.

DUO CIA DE TEATRO



A LUZ - A SOMBRA
O MASCULINO - O FEMININO
A VIDA - A MORTE
O YIN - O YANG