A DUO Cia. de Teatro surgiu em 2004 a partir das inquietações de um grupo de artistas preocupados em desenvolver um trabalho que refletisse sobre os rumos que o homem vêm traçando ao longo de sua existência no planeta.
A partir do estudo da filosofia, dos símbolos e arquétipos percebidos em várias tradições religiosas e do estudo da psicologia (principalmente a junguiana) pretendemos atingir uma compreensão da alma humana e dos mecanismos que regem o comportamento do homem na sociedade atual.
São os aspectos sombrios do ser humano que se manifestam nas relações sociais, políticas e pessoais, a matéria prima de nosso trabalho.
A escolha deste material poderia resultar em um teatro “feito para chocar”, mas os acontecimentos que ocorrem no dia-a-dia de qualquer grande cidade do mundo, nos parecem muito mais chocantes do que o efeito que qualquer obra de arte feita com esta pretensão possa provocar.
Portanto, não nos interessa tão somente retratar estes aspectos através de nosso trabalho. Para nós é necessário transcendê-los para que possamos atingir a sensibilidade do homem moderno.
Encontramos na literatura de Fiodor Dostoievski os elementos que nos parecem essenciais ao teatro que gostaríamos de fazer. Em Dostoievski o homem (o personagem) nos é mostrado através de uma complexa teia de relações, onde o indivíduo é fruto das condições políticas e sociais, mas em nenhum momento é posto como vítima social. Por mais miserável (material e espiritualmente) que sejam, os personagens dostoievskianos encontram-se sempre diante de situações onde sua ações, conscientes ou não, são desencadeadoras de uma serie de conseqüências.
12 SEGUNDOS DE ESCURIDÃO é a primeira parte de uma trilogia a ser produzida pela companhia, inspirada no romance Crime e Castigo, de Fiodor Dostoievski.
Neste texto nos debruçamos sobre o homem diante das conseqüências dos seus atos (o assassinato e o roubo cometidos pelo personagem Raskolhnikov) e suas implicações psíquicas e simbólicas.
Na segunda parte da trilogia (ainda sem título) partiremos do velório do personagem Marmieladov para falar do ser humano diante da morte, da solidão e do abandono.
A terceira parte da trilogia (também ainda sem titulo) abordará o cinismo e o abuso de poder perpetrado por aqueles que são possuidores de riqueza e status social a partir do personagem Svidrigailov e de suas relações com Advotia Românovna.