terça-feira, 28 de julho de 2009
quarta-feira, 1 de julho de 2009
Estriea O MONTACARGAS, de Harold Pinter

Re-estréia dia 1º de agosto o espetáculo O MONTACARGAS, de Harold Pinter. A nova temporada acontecerá nos dias 01, 08, 15, 22 e 29 de agosto, agora no Espaço dos Satyros Dois.
Devido ao grande sucesso de público, espetáculo O MONTACARGAS, faz mais uma temporada, agora no Espaço dos Satyros Dois. O texto - terceira obra escrita para o teatro por Harold Pinter (único dramaturgo premiado com o Nobel de Literatura em 2005) – apresenta-nos dois homens que se encontram num porão à espera de uma terceira pessoa, enquanto conversam sobre futebol e comentam as notícias dos jornais. Aos poucos, sob a aparente banalidade dos diálogos, vai se revelando ao espectador um vasto conteúdo inconsciente, a partir das sutis indicações dos motivos que os levaram ao porão e a tarefa que ali irão realizar.
A encenação, fruto da pesquisa realizada desde o inicio de 2008 pelo grupo Na Cia. dos Homens, cuja principal referencia é a obra do cineasta francês Robert Bresson, constrói-se a partir de um acurado cuidado com a palavra, aliado ao minimalismo e à economia de meios, que permeiam os elementos que compõem a cena (cenários, figurinos, iluminação...) bem como o trabalho do ator que, utilizando-se do silencio e da imobilidade, busca conferir aos seus personagens uma dimensão arquetípica e simbólica.
Bráulio Ferraz: Ator. Formado pela Teatro-Escola Macunaíma. Estudou também no Royal Welsh College of Music and Drama - Cardiff, Reino Unido e no Mark Keppel High School - Monterey Park-California-USA. Atuou nos espetáculos: Os Possessos, direção de Antonio Abujamra; Insones 3x4, direção de Ed Anderson Mascarenhas; Happy End e Surabaya, Johnny, direção Marco Antonio Rodrigues; Ópera dos 500, direção de Naum Alves de Souza; Oração para um pé de chinelo, direção de Dizoneth; dentre outros.
César Maier: Ator, diretor e dramaturgista. Iniciou seus estudos em teatro em 1988 no curso Interpretação a Partir do Trabalho com Máscaras e Maquiagem, com os atores George Bigot e Maurice Durozier do Theatre du Soleil. Fez cursos com Rubens Correia, Aderbal Freire Filho e Antunes Filho, dentre outros. Atuou nos espetáculos: O Defunto, de Renê de Obaldia; Conversação Sinfonieta, de Jean Tardieu; O Claro Abelardo, de Antonin Artaud (este também sob sua direção); dentre outros.
O Montacargas, de Harold Pinter – tradução de Bráulio Ferraz - direção de César Maier
Com Bráulio Ferraz e César Maier
Light Designer e Operação de Luz e Som: Christiane Sthëin
Espaço dos Satyros Dois – Praça Roosevelt, 134 – Tel. 11 3258 6345 – www.satyros.com.br
Re-estréia dia 1º de agosto – Temporada: dias 01, 08, 15, 22 e 29 de agosto – Sábados, às 19 Horas
Devido ao grande sucesso de público, espetáculo O MONTACARGAS, faz mais uma temporada, agora no Espaço dos Satyros Dois. O texto - terceira obra escrita para o teatro por Harold Pinter (único dramaturgo premiado com o Nobel de Literatura em 2005) – apresenta-nos dois homens que se encontram num porão à espera de uma terceira pessoa, enquanto conversam sobre futebol e comentam as notícias dos jornais. Aos poucos, sob a aparente banalidade dos diálogos, vai se revelando ao espectador um vasto conteúdo inconsciente, a partir das sutis indicações dos motivos que os levaram ao porão e a tarefa que ali irão realizar.
A encenação, fruto da pesquisa realizada desde o inicio de 2008 pelo grupo Na Cia. dos Homens, cuja principal referencia é a obra do cineasta francês Robert Bresson, constrói-se a partir de um acurado cuidado com a palavra, aliado ao minimalismo e à economia de meios, que permeiam os elementos que compõem a cena (cenários, figurinos, iluminação...) bem como o trabalho do ator que, utilizando-se do silencio e da imobilidade, busca conferir aos seus personagens uma dimensão arquetípica e simbólica.
Bráulio Ferraz: Ator. Formado pela Teatro-Escola Macunaíma. Estudou também no Royal Welsh College of Music and Drama - Cardiff, Reino Unido e no Mark Keppel High School - Monterey Park-California-USA. Atuou nos espetáculos: Os Possessos, direção de Antonio Abujamra; Insones 3x4, direção de Ed Anderson Mascarenhas; Happy End e Surabaya, Johnny, direção Marco Antonio Rodrigues; Ópera dos 500, direção de Naum Alves de Souza; Oração para um pé de chinelo, direção de Dizoneth; dentre outros.
César Maier: Ator, diretor e dramaturgista. Iniciou seus estudos em teatro em 1988 no curso Interpretação a Partir do Trabalho com Máscaras e Maquiagem, com os atores George Bigot e Maurice Durozier do Theatre du Soleil. Fez cursos com Rubens Correia, Aderbal Freire Filho e Antunes Filho, dentre outros. Atuou nos espetáculos: O Defunto, de Renê de Obaldia; Conversação Sinfonieta, de Jean Tardieu; O Claro Abelardo, de Antonin Artaud (este também sob sua direção); dentre outros.
O Montacargas, de Harold Pinter – tradução de Bráulio Ferraz - direção de César Maier
Com Bráulio Ferraz e César Maier
Light Designer e Operação de Luz e Som: Christiane Sthëin
Espaço dos Satyros Dois – Praça Roosevelt, 134 – Tel. 11 3258 6345 – www.satyros.com.br
Re-estréia dia 1º de agosto – Temporada: dias 01, 08, 15, 22 e 29 de agosto – Sábados, às 19 Horas
Ingressos: R$ 20,00; R$ 10,00 (Estudantes, Classe Artística e Terceira Idade); R$ 5,00 (Oficineiros dos Satyros e moradores da Praça Roosevelt) / Bilheteria: 1h antes do espetáculo, aceita dinheiro e cheque.
Duração: 60 min. / Classificação: 16 anos / Lugares: 70 / Acesso universal. / Não possui estacionamento.
Apoio: O AUTOR NA PRAÇA, SEICHO-NO-IE DO BRASIL, GRUPO DE TEATRO OS
Duração: 60 min. / Classificação: 16 anos / Lugares: 70 / Acesso universal. / Não possui estacionamento.
Apoio: O AUTOR NA PRAÇA, SEICHO-NO-IE DO BRASIL, GRUPO DE TEATRO OS
SATYROS, ESPAÇO CULTURAL OFICINA, PONTO E VÍRGULA - ASSESSORIA DE IMPRENSA, NONSENSE-CAMISETAS INTELIGENTES, NUTRISOM - RESTAURANTE, VEGETARIANO, CANTINA LUNA DE CAPRI, PLANETA'S, CANTINA E PIZZARIA PIOLIN.
quinta-feira, 11 de setembro de 2008
sexta-feira, 22 de agosto de 2008
EM 12 SEGUNDOS...
Recebí um email de uma amiga e resolví publicar seu teor pelo fato do mesmo conter uma curiosa relações de sincronicidade com o título de nosso espétáculo:
"Numa convenção americana à qual compareceram neurologistas do mundo inteiro, um dos principais tópicos foi o fenômeno de pessoas que desmaiam no instante em que se levantam da cama.Um dos oradores foi a Professora Linda McMaron da Inglaterra. Ela fez uma prolongada palestra sobre seus estudos neste campo. Disse que após muitos anos de estudo e investigação sobre o tema, chegara à conclusão de que este tipo de desmaio é causado pela rápida transferência entre a posição deitada e ficar de pé.
A Professora McMaron disse que demora 12 segundos para o sangue fluir dos pés à cabeça. Porém quando a pessoa se levanta rapidamente assim que acorda, o sangue é "jogado" depressa demais para o cérebro, e o resultado é o desmaio. Ela sugeriu que cada pessoa, mesmo aquelas que não têm tendência a desmaiar, se sentasse na cama ao acordar e contasse lentamente até 12 para evitar tontura, fraqueza e/ou desmaio. Seu discurso foi recebido com muitos aplausos e entusiástica repercussão.
Outro professor, um judeu religioso, pediu permissão para falar.Ele disse:
"Para nós, judeus, há uma antiga tradição com milhares de anos (*), dizer uma prece de agradecimento ao Criador do Mundo por nos conceder a oportunidade de um novo dia de realizações. A prece é dita imediatamente após despertar, enquanto ainda se está na cama deitado ou sentado. Há doze palavras nesta prece e se a pessoa se regular para dizê-las lentamente com concentração, leva exatamente doze segundos para dizê-la... 12 palavras em 12 segundos." Ele recitou a prece lentamente em hebraico:
'Modê ani lefanêcha, Mêlech chai vecayam, shehechezárta bi nishmati bechemlá. Rabá emunatêcha. (Sou grato a Ti, ó Rei vivo e eterno, por ter restaurado dentro de mim minha alma com misericórdia. Grande é Tua confiabilidade.)
O auditório levantou-se e irrompeu em aplausos que ecoaram por todo o salão.
Talvez cada um de nós também deva APLAUDIR TODA MANHÃ APÓS RECITAR MODÊ ANI!(*) O Talmud no tratado de Guitin 70a diz que aquele se levanta rapidamente, assim que acorda corre risco de vida."
"Numa convenção americana à qual compareceram neurologistas do mundo inteiro, um dos principais tópicos foi o fenômeno de pessoas que desmaiam no instante em que se levantam da cama.Um dos oradores foi a Professora Linda McMaron da Inglaterra. Ela fez uma prolongada palestra sobre seus estudos neste campo. Disse que após muitos anos de estudo e investigação sobre o tema, chegara à conclusão de que este tipo de desmaio é causado pela rápida transferência entre a posição deitada e ficar de pé.
A Professora McMaron disse que demora 12 segundos para o sangue fluir dos pés à cabeça. Porém quando a pessoa se levanta rapidamente assim que acorda, o sangue é "jogado" depressa demais para o cérebro, e o resultado é o desmaio. Ela sugeriu que cada pessoa, mesmo aquelas que não têm tendência a desmaiar, se sentasse na cama ao acordar e contasse lentamente até 12 para evitar tontura, fraqueza e/ou desmaio. Seu discurso foi recebido com muitos aplausos e entusiástica repercussão.
Outro professor, um judeu religioso, pediu permissão para falar.Ele disse:
"Para nós, judeus, há uma antiga tradição com milhares de anos (*), dizer uma prece de agradecimento ao Criador do Mundo por nos conceder a oportunidade de um novo dia de realizações. A prece é dita imediatamente após despertar, enquanto ainda se está na cama deitado ou sentado. Há doze palavras nesta prece e se a pessoa se regular para dizê-las lentamente com concentração, leva exatamente doze segundos para dizê-la... 12 palavras em 12 segundos." Ele recitou a prece lentamente em hebraico:
'Modê ani lefanêcha, Mêlech chai vecayam, shehechezárta bi nishmati bechemlá. Rabá emunatêcha. (Sou grato a Ti, ó Rei vivo e eterno, por ter restaurado dentro de mim minha alma com misericórdia. Grande é Tua confiabilidade.)
O auditório levantou-se e irrompeu em aplausos que ecoaram por todo o salão.
Talvez cada um de nós também deva APLAUDIR TODA MANHÃ APÓS RECITAR MODÊ ANI!(*) O Talmud no tratado de Guitin 70a diz que aquele se levanta rapidamente, assim que acorda corre risco de vida."
quinta-feira, 2 de agosto de 2007
A ARTE É O CRIME *


* Texto de autoria de Bernardo Carvalho publicada no caderno ilustrada da Folha de São Paulo em 31/07/2007
"PICKPOCKET" (1959) , de Robert Bresson, é um filme livremente inspirado em "Crime e Castigo". No romance de Dostoiévski, Raskólnikov invoca a figura de Napoleão, o assassino de milhares de pessoas absolvido pela história, como exemplo para uma teoria do homem extraordinário, capaz de criar a sua própria lei e arcar com as responsabilidades dos seus atos. Assim pretende justificar o assassinato de uma velha usurária, que ele vai cometer com requintes de violência. No filme de Bresson, agora lançado em DVD, um rapaz desempregado se torna batedor de carteiras, "uma aventura para a qual não fora talhado", e se justifica com uma teoria análoga à de Raskólnikov: o crime o destaca da massa e o dignifica. Não se submeter à lei criada pelos outros é a afirmação do seu gênio.
O batedor de carteiras entra em ação pela primeira vez entre os espectadores das corridas de cavalos. Bresson filma a cena da forma mais antinaturalista -de resto, como todo o filme.
Os atores-figurantes assistem à corrida de frente para a câmera. O batedor de carteiras está estrategicamente disposto atrás de sua vítima, movido por um impulso que, como já assinalaram outros críticos, tem muito de erótico. A cena ilustra a teoria do personagem: todos estão distraídos, como se fossem autômatos, suas expressões são banais à força de tanta semelhança, estão hipnotizados por um interesse comum. Só ele, à beira de cometer um crime, tem a atenção desviada. Seu olhar é o único vivo e misterioso na sua individualidade.
No final do filme, o protagonista volta à cena do crime inicial, às corridas de cavalos, onde começou sua carreira.
Mas, desta vez, apesar de toda a experiência acumulada, será pego em flagrante. Quando a mulher que ele ama o visita na prisão, o batedor de carteiras diz que foi preso porque se distraiu. Para ele, é uma idéia insuportável. Significa que já não se distingue da massa distraída, que foi vítima da distração, como todos os outros.
Bresson era um cineasta marcado pela religião, pelas questões do pecado e da culpa. Adaptou dois outros textos de Dostoiévski: "Uma Mulher Dócil" (1969) e "Quatro Noites de um Sonhador" (1972, baseado em "Noites Brancas"). Na leitura idiossincrática que fazia da obra de Dostoiévski, Vladimir Nabokov não media as palavras quando era para pichar o compatriota. Em relação a "Crime e Castigo", o que mais o exasperava era a retórica sentimentalista levada ao cúmulo, segundo ele, na cena redentora em que o assassino e a prostituta lêem o Novo Testamento.
Em "Pickpocket" também há expiação da culpa e redenção pelo amor. Mas nada pode ser taxado de sentimentalista.
Todo o cinema de Bresson está fundado numa lição e num paradoxo teatral: o falso, quando homogêneo, resulta verdadeiro. Para que o real se manifeste na tela, é preciso que nem a cena nem os atores tentem disfarçar o que são.
Para Bresson, o real brota do artifício da representação assumido como tal e não das convenções do naturalismo. Por isso, preferia não trabalhar com atores, que são fingidores profissionais. Preferia a inexperiência dos iniciantes, os quais chamava de modelos.
O mundo em "Pickpocket" é representado como um cenário onde os homens evoluem numa coreografia milimetricamente ensaiada, que chega ao ápice quando, numa estação de trens, vários ladrões agem em conjunto. Os gestos são rigorosamente estudados e encenados, à maneira da própria "arte" do batedor de carteiras. Tudo é filmado em detalhe, em primeiro plano: mãos, carteiras, lapelas e bolsas, como numa dança de objetos parciais e autônomos. Um mundo de movimentos lentos e de figurantes vagando pelas ruas, como zumbis (que, às vezes, lembram os personagens dos quadros de Balthus) ao som amplificado dos seus passos nas calçadas, como se vivessem em estúdio.
Assim como Dostoiévski, Bresson inaugura um mundo que não existia antes dele. E esse mundo é tão mais real por ser efeito de uma concepção autoral inimitável e sem precedentes. Antes de começar propriamente a ação do filme, o batedor de carteiras escreve em seu diário: "Sei que de
costume os que fizeram tais coisas se calam e os que as contam não as cometeram. E, no entanto, eu as cometi". É a deixa para o espectador entender que nunca viu o que está para ver. E que daí em diante tudo dependerá desse paradoxo tão caro a Bresson, segundo o qual a verdade nasce da invenção. Num desdobramento e numa inversão muito peculiar da teoria de Raskólnikov, a própria arte rouba o lugar do crime.
terça-feira, 24 de julho de 2007
segunda-feira, 23 de julho de 2007
DUO CIA DE TEATRO
A DUO Cia. de Teatro surgiu em 2004 a partir das inquietações de um grupo de artistas preocupados em desenvolver um trabalho que refletisse sobre os rumos que o homem vêm traçando ao longo de sua existência no planeta.
A partir do estudo da filosofia, dos símbolos e arquétipos percebidos em várias tradições religiosas e do estudo da psicologia (principalmente a junguiana) pretendemos atingir uma compreensão da alma humana e dos mecanismos que regem o comportamento do homem na sociedade atual.
São os aspectos sombrios do ser humano que se manifestam nas relações sociais, políticas e pessoais, a matéria prima de nosso trabalho.
A escolha deste material poderia resultar em um teatro “feito para chocar”, mas os acontecimentos que ocorrem no dia-a-dia de qualquer grande cidade do mundo, nos parecem muito mais chocantes do que o efeito que qualquer obra de arte feita com esta pretensão possa provocar.
Portanto, não nos interessa tão somente retratar estes aspectos através de nosso trabalho. Para nós é necessário transcendê-los para que possamos atingir a sensibilidade do homem moderno.
Encontramos na literatura de Fiodor Dostoievski os elementos que nos parecem essenciais ao teatro que gostaríamos de fazer. Em Dostoievski o homem (o personagem) nos é mostrado através de uma complexa teia de relações, onde o indivíduo é fruto das condições políticas e sociais, mas em nenhum momento é posto como vítima social. Por mais miserável (material e espiritualmente) que sejam, os personagens dostoievskianos encontram-se sempre diante de situações onde sua ações, conscientes ou não, são desencadeadoras de uma serie de conseqüências.
12 SEGUNDOS DE ESCURIDÃO é a primeira parte de uma trilogia a ser produzida pela companhia, inspirada no romance Crime e Castigo, de Fiodor Dostoievski.
Neste texto nos debruçamos sobre o homem diante das conseqüências dos seus atos (o assassinato e o roubo cometidos pelo personagem Raskolhnikov) e suas implicações psíquicas e simbólicas.
Na segunda parte da trilogia (ainda sem título) partiremos do velório do personagem Marmieladov para falar do ser humano diante da morte, da solidão e do abandono.
A terceira parte da trilogia (também ainda sem titulo) abordará o cinismo e o abuso de poder perpetrado por aqueles que são possuidores de riqueza e status social a partir do personagem Svidrigailov e de suas relações com Advotia Românovna.
A partir do estudo da filosofia, dos símbolos e arquétipos percebidos em várias tradições religiosas e do estudo da psicologia (principalmente a junguiana) pretendemos atingir uma compreensão da alma humana e dos mecanismos que regem o comportamento do homem na sociedade atual.
São os aspectos sombrios do ser humano que se manifestam nas relações sociais, políticas e pessoais, a matéria prima de nosso trabalho.
A escolha deste material poderia resultar em um teatro “feito para chocar”, mas os acontecimentos que ocorrem no dia-a-dia de qualquer grande cidade do mundo, nos parecem muito mais chocantes do que o efeito que qualquer obra de arte feita com esta pretensão possa provocar.
Portanto, não nos interessa tão somente retratar estes aspectos através de nosso trabalho. Para nós é necessário transcendê-los para que possamos atingir a sensibilidade do homem moderno.
Encontramos na literatura de Fiodor Dostoievski os elementos que nos parecem essenciais ao teatro que gostaríamos de fazer. Em Dostoievski o homem (o personagem) nos é mostrado através de uma complexa teia de relações, onde o indivíduo é fruto das condições políticas e sociais, mas em nenhum momento é posto como vítima social. Por mais miserável (material e espiritualmente) que sejam, os personagens dostoievskianos encontram-se sempre diante de situações onde sua ações, conscientes ou não, são desencadeadoras de uma serie de conseqüências.
12 SEGUNDOS DE ESCURIDÃO é a primeira parte de uma trilogia a ser produzida pela companhia, inspirada no romance Crime e Castigo, de Fiodor Dostoievski.
Neste texto nos debruçamos sobre o homem diante das conseqüências dos seus atos (o assassinato e o roubo cometidos pelo personagem Raskolhnikov) e suas implicações psíquicas e simbólicas.
Na segunda parte da trilogia (ainda sem título) partiremos do velório do personagem Marmieladov para falar do ser humano diante da morte, da solidão e do abandono.
A terceira parte da trilogia (também ainda sem titulo) abordará o cinismo e o abuso de poder perpetrado por aqueles que são possuidores de riqueza e status social a partir do personagem Svidrigailov e de suas relações com Advotia Românovna.
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