sábado, 26 de maio de 2007

CRIME E CASTIGO – UMA INSPIRAÇÃO

Ao entrarmos em contato com DIARIO DE RASKOLNIKOV, um dos exercícios literários utilizados por F. Dostoievski na criação de CRIME E CASTIGO, percebemos que ali existia um excelente material que nos servia de inspiração para falar do vazio existencial e espiritual, do niilismo e da falta de sentido que caracterizam a vida do homem moderno.

O DIARIO..., um exercício inacabado, nos levou, naturalmente, ao CRIME E CASTIGO. E foi aí que nos demos conta do tamanho de nossa empreitada. Dois anos foram consumidos na tarefa de, não somente traduzir para nosso tempo os caracteres que constituem o personagem RASKOLNIKOV, mas também sinalizar a sua tomada de consciência diante do crime que cometeu, o que para nós era fundamental pois, desde o início, nossa intenção jamais foi a de fazer o retrato de um criminoso, e sim, como faz Dostoiewski nos últimos capítulos do seu romance, falar da possibilidade de redenção deste homem.

A estrutura dramaturgica, não linear e fragmentada, foi sendo construída para atender aos nossos propósitos de encenação, a nossa visão de mundo e a nossa concepção de teatro, onde o que não é dito (ou é apenas sinalizado) propõe ao espectador um “jogo”, em que sua imaginação é elemento fundamental.

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